Mestre-aluno… Dos universos que criamos!

Written by Jordan Augusto. Posted in Artigos Mestre-Alunos

 

“É melhor merecer honrarias e não recebê-las do que recebê-las sem merecer.” (Mark Twain)

Todo aquele que já foi aluno um dia sabe que as aspirações que permeiam a mente dos sonhadores, dos entusiastas, dos que são apaixonados, é um pouco diferente da consciência de investigação, ou daqueles que permanecem ajustados à sua história pessoal. A paixão, ainda que importante para a perseverança, pode fomentar uma série de desajustes na relação mestre-aluno. O ciúme é um deles!

Não me foi difícil constatar que a maturidade é a pedra angular que divide a vida dos alunos e dos que permitem que o caminho saia de dentro de seus corações. Agiganta-se o número de desafetos, de pessoas que ao se sentirem desprezadas por esta ou aquela razão, alteram os padrões daquele instante – que poderia ser de aprendizado e crescimento -, e se rendem às rédeas dos vícios e da incompreensão, gerando, por conseguinte, um aquecimento de suas verdades. Todos sabemos que as verdades quando se aquecem se convertem em fanatismo ou frustração, inveja. A realidade depositada na paisagem do mestre ou professor, transformada, em seguida, em expectativa, ultrapassa os limites da boa vontade chegando a beirar a casa da possessão (no sentido de posse).

Diferentes mestres, queridos amigos, e interessantes profissionais, já se viram involucrados em circunstâncias onde o desafeto delineia um universo de caos e ignorância, cedendo espaço à arrogância. Da mesma forma, é normal existir a transferência; o aluno, ao desejar ocupar o lugar de seu mentor, cria seu próprio universo e nele se instala como senhor de suas verdades e condições. Sempre que vejo isso ocorrer, e isso vem se tornando cada vez mais frequente e normal nos dias atuais, desejo sorte; “sorte?” – pergunta-me um conhecido. Sim, porque quem toma atalhos na vida, sem dúvida alguma, vai necessitar.

Logo, lembro-me de uma importante pessoa que fez parte de minha vida, momentos, professor de uma Universidade no Brasil, que dizia que “na vitória da vida, profissional, sorte é o que menos interessa.” Em suas verdades, e as fiz minhas depois de um tempo, o trabalho, a dedicação, a condição de seguir adiante, são fatores primordiais para que o triunfo seja verdadeiro e duradouro. A admiração pode se converter em usurpação, com intensa facilidade e tamanha tenacidade, o que ocorre quase sem se perceber. Em muitos casos pude constatar de perto que a mente transita sob condições que alteram os perfis em função de se adaptar, ou adaptar aquilo que admira à sua forma de existir.

Por este viés, não é difícil percebermos que em tal trajetória o egoísmo dilatado eclodirá no triste cenário da “epopéia” sonhadora: não se pode confundir mestres com alunos! Hoje todos querem ser mestres, todos desejam estar acima ou à frente de alguma escola. Como disse anteriormente, “tudo vale à pena quando a alma não é pequena.” Em contrapartida, a questão que vai além, aquela que nos passa despercebida, e talvez esta seja uma de minhas reflexões mais constantes, não tarda em demonstrar que estamos em uma época onde tudo está aí; cedo ou tarde as realidades surgem à tona e alteram a visão dos demais. Por outro lado, nada disso importa para aquele que sabe para onde se dirige e acredita em sua história pessoal.

Quiçá, a questão maior esteja centrada na consciência. Dentro do que entendo por livre-arbítrio, que cada um triunfe da maneira que lhe for mais conveniente, e que desfrute de sua felicidade. É para isso que estamos aqui, não? Em paralelo, que cada um, também, seja forte para enfrentar com valentia os “mares”, revoltosos ou tranquilos, pelos quais “aventura-se” em navegar. Sou daqueles que pensa que todos podem ser o que quiser, que podem construir o sonho que lhes melhor vier... Todavia, também sou consciente que toda ação gera uma reação, e que as decisões são senhoras de nossos destinos.

No final das contas, no “frigir dos ovos”, nossas vidas terminam como se termina um processo experimental daquilo que nos promove uma lúcida consciência em seu significado interior. “É tão fácil esmagar, em nome da liberdade exterior, a liberdade interior.” – disse Rabindranath Tagore.