O mundo que já não conhecemos!

Written by Jordan Augusto. Posted in Artigos e Crônicas

 

Creio que nós que nascemos na geração dos 70, 60, estamos passando por um momento de muitas descobertas; uma delas: estamos ficando velhos! Quando olhamos os jovens de agora e pensamos que em nossa época as coisas eram melhores, significa que já não estamos alinhados com a chegada do novo tempo.

O pensamento de que estamos sempre em descompasso com o nosso tempo original (cada um com o seu), uma verdade já dita por grandes pensadores, nunca esteve tão evidente como com os avanços da modernidade. Disse Antônio Gramsci: “O desafio da modernidade é viver sem ilusões, sem se tornar desiludido.”

Se seguirmos por este viés, imagine que no Brasil, o que eu conheci em minha época, uma pessoa de vinte anos já estava trabalhando, quase casado, e com toda uma vida programada. Sou do tempo em que um homem de dezoito anos tinha que saber o que queria da vida. Outro exemplo, em não ajustada proporção, mas paralela, uma mulher com mais de 25 anos - considerada velha para a época - em casa era tida como algo que foi rejeitado e que ficaria para “Titia” – expressão usada no Brasil. Um homem com esta idade sem emprego, profissão, ou renda fixa, já era mal falado pelos vizinhos.

A hora presente, mesmo a despeito de nossa miopia, revela tudo que deveríamos, se possível, rever em nossa existência. Isso significa que no meio de um cenário novo, seja o homem sábio ou não, a reavaliação e a busca por um instante mais lúcido, maduro, projeta um possível caminho de verdades possíveis.

Essa “Verdade”, aqui, faço questão de ressaltar, leva-nos ao ponto onde nós nos perdemos. Diversos amigos, por não se adaptarem ao novo tempo de instabilidade e inconstância, do “hoje tenho / amanhã não”, do “todos são prescindíveis”, perderam seus empregos, viram-se à rua do desespero e ainda não se recuperaram. A própria corrente do momento – e salve-se quem puder! - os obrigou a trabalhar em profissões paralelas às que executavam ates da crise de 2008. A velha história do “cada um faz o que pode!”

Pois é, aquele que se preparou para um mundo imaginado pelos pais das décadas anteriores à dos anos 80, sabe e é ciente (pelo menos tem que ser!!!) de que necessita se reordenar. O mundo mudou? É isso? O que mudou, somente a tecnologia? A modernidade?

Se observarmos a palavra “moderno” no dicionário de língua portuguesa, o seu significado abrange algo que pertence aos nossos dias; ou seja, do tempo presente. É igual a CONTEMPORÂNEO, HODIERNO, RECENTE. E não há modernidade sem imaginação. Já em seu tempo nos disse Albert Einstein: “A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro.” O mundo de hoje é um mundo de imaginação, de criatividade.

Não há como negar que a vida se renova em meio ao que nós acreditamos ser a parte funcional de nossa realidade. Já não somos, ou seremos, o centro que move o todo sem movemos, primeiro, a nossa realidade interior. Isso significa que para apontar problemas e soluções, para sermos a parte dinâmica de nossa realidade pessoal, devemos estruturar a nossa contribuição à maturação natural de nossas percepções. Começa por estarmos abertos ao novo! No entanto, cuidado!

Sim, estamos em um momento de uma grande curva biológica, em que o homem primitivo, feroz, está para sair da sua “caverna interior” para se preparar para novas formas de vida. Veja você os problemas do mundo, a julgar que estes quase todos agora surgem em níveis sociais, as pessoas já não aguentam mais o “pequeno papel” de uma inconsciente marionete, guiada por uns poucos instintos, que vive apenas para ser parte da idéia de uma minoria. Você sabe quem domina o mundo? E os mundos dentro deste mundo?

Toda pessoa que está mais desperta, seja em virtude de sua profissão, ou não, sabe que o que se vende não é a realidade. A internet veio dar voz e imagem – para bem e para mal - a tudo o que antes estava oculto. Um mecanismo que por mais que traga dor e revolta, impulsionará o ser a se posicionar na estrada da vida; a linguagem enérgica pode ser um bem quando o ser já não escuta mais, habituado apenas às fórmulas rotineiras de advertência.

Muitos visionários disseram que este seria um século de descobertas, de revelação.... Que tudo o que antes estava escondido, esquecido na escuridão do ser humano, agora viria à tona! Como não dizer que isto é o que está acontecendo?