As grandes transformações… O que nos faz desistir?

Written by Jordan Augusto. Posted in Artigos e Crônicas

 

“Cada um é tão infeliz quanto acredita sê-lo.” (Sêneca)

Cada vez mais, amigos, mestres, e etc., dizem: “...cheguei até onde consegui!” Logo, o que nos faz pensar assim? O mundo atual é tão difícil como parece? Seja como for, o momento nos revela tal como somos. O que podemos dizer que os trabalhos que compõem a nossa história pessoal, seja ela em níveis maiores ou não, pertencem a realidades curiosas que são paralelas ao nosso padrão individual. Explico:

Nem sempre as sensações repercutem dentro do “eixo natural” de nossa perspectiva pessoal. Tudo depende da maneira como observamos, dos olhos do observador. Basta prestarmos a atenção que a maioria das grandes mudanças, as mais significativas, ocorrem quando já não as desejamos.

A vida em condição sistemática, tal como se vive nas grandes cidades, desenvolve-nos em atmosferas que podem, ou não, considerar-nos parte de seu sistema - capazes, competentes.... O que nos leva a pensar que a nossa realidade pessoal, construída dentro de fatores profissionais hipertrofiados por uma visão de competição, fomentam tipos de experiências singulares onde a agitação individual, a incerteza frente ao futuro, as turbulentas mudanças de um momento para outro, surgem no reencontro de certos aspectos ocultos de nós mesmos.

Em outras palavras, somos parte de todo um “processo” inserido em tantos outros processos habituais de defesa, de recalque, frustrações, e etc., que nos faz ressurgir de maneira diferente em cada etapa. Henry Ford dizia: “Estar decidido, acima de qualquer coisa, é o segredo do êxito.”

No caso de um amigo, em especial, este tentou tudo! Nada deu certo. Mudou de cidades, países, até que se descobriu em meio a uma vida de missionário. Hoje viaja de país em país para, segundo ele, levar a palavra de Deus.

A maneira como cada um de nós define seu próprio caminho, para bem e para mal, acaba por estabelecer os valores da riqueza que levamos dentro. Aqui, faço alusão à realidade primária do ser humano: sobreviver! Entretanto, sobreviver a quê ou a quem? Por este viés, podemos dizer que subsistem todos os que triunfaram em usurpar a própria medida, a própria história. Mudar o encaixe... mudar a perspectiva. Para os de maior visão, a vida é um processo de redescobertas que necessita de um mecanismo animador - Uff!!! A que valores se prenderá então o mundo assim abalado, senão aos únicos que restam, os do espírito?

Pois bem, por aí se define a vida como um laboratório, um meio pelo qual se vive e se morre. Nascemos e morremos todos os dias, delineamos os padrões e ultrapassamos os limites.... Será? Seja como for (o que não determina o futuro), as nossas ações que antecedem este futuro, ou mesmo a possibilidade da desistência, atormenta todo aquele que trabalha intensamente, que vive para cumprir seus deveres e alcanças deus objetivos. Clarice Lispector disse: “Nunca sei se quero descansar porque estou realmente cansada, ou se quero descansar para desistir.”

A questão maior, quem sabe se assim podemos dizer, resulta ser a posição que nos encontramos, ou aquela que encontra a nós, sempre que a solidez e a vulnerabilidade resolvem jogar um jogo de cartas marcadas.

Conta-se que o famoso místico Ibrahim Adham entrou certa vez no palácio do governante local. Como era muito conhecido na região, nenhum guarda ousou detê-lo, e ele conseguiu chegar à presença do soberano.

- Gostaria de passar a noite aqui – disse.

- Mas isso não é um hotel – respondeu o rei.

- Posso perguntar quem era o dono deste palácio antes do senhor?

- Meu pai. Ele está morto.

- E quem era o dono, antes do seu pai?

- Meu avô. Ele também está morto.

- Então este é um lugar onde as pessoas ficam um pouco e depois vão embora. Não é a mesma coisa que um hotel?

Respeitando a coragem e a sabedoria de Ibrahim Adham , o rei permitiu que ficasse hospedado ali o tempo que quisesse.