Aprendemos todos os dias porque somos ausentes!

Written by Jordan Augusto. Posted in Artigos e Crônicas

 

Será?

Will Durant dizia: “Sessenta anos atrás, eu sabia tudo. Hoje sei que nada sei. A educação é a descoberta progressiva da nossa ignorância.”

Diferentes momentos, instantes, fases, ciclos - cada um de nós atribui como quiser este fragmento de tempo que nos chama a atenção -, marcam a nossa existência por serem reais frente a um “eu” ausente. Como assim? Sim, estar presente em si mesmo é um laborioso exercício que significa ser a parte “desperta” de você mesmo.

Por outro lado, afirma-se que sempre quando nós descobrimos uma forma de nos conhecermos melhor, de nos compreendermos mais profundamente, o habitual ocorre sem esforço; ou ao contrário: o esforço ocorre de maneira natural. Para os mais experientes, sábios, isso acontece em algum período indeterminado de nossa existência. Estar "além do esforço", ou além do “próprio esforço”, nada mais é que estar presente naquilo que se faz. No entanto, ainda assim, esta observação pode ser vaga. Vejamos, observe, por exemplo, que quando gostamos do que fazemos, nada é difícil.

Toda esta impressão, se traçarmos um paralelo com os tempos atuais - destacando o mercado de trabalho e a sua difícil condição profissional -, faz-nos ver que todo este mecanismo de observação moderna, tecnológica, abre uma janela para aquilo que nos possibilita enxergar e, por conseguinte, constatar que os mundos interno e externo transitam em um cenário que delineia um ser humano ainda carente de si mesmo.

Em constantes entrevistas que leio, que vejo através dos mecanismos de comunicação, envolvendo pensadores na Europa, quase todas destacam o fato de estarmos vivendo um período de junção para, depois, haver a separação. Se antes o que nos separava era a condição aristocrática, mais reservada, de pouco acesso à gente comum, hoje as sociedades estão misturadas. Com a queda das fronteiras, com a chegada da internet e a globalização, as “tribos” – uma forma de classificar os grupos presentes em diversos setores da sociedade -, avançaram, ganharam terreno, no campo social. O que mais se destaca é o fato de que somos seres de comunhão. Buscamos nos identificar com algo e ali estamos! Os esportes, as atividades sociais, culturais.... Indubitavelmente fatores de auto reconhecimento.

Isso nos remete à idéia de que necessitamos de um espelho para que possamos nos conhecer, ou nos despertar para a nossa existência interior. Quantas não são as pessoas que dizem haver se encontrado neste ou naquele grupo de pessoas? Logo, o nome que se dá a isso, seja religião, esporte, música, etc., faz com que sejamos o ponto de interseção entre os mundos externo e o nosso “eu” interno.

Em diferentes artigos que escrevi para revistas na Europa – todos eles podem ser lidos online – eu tento despertar o leitor para um ponto de vista que destaca um tipo de homem que, em milenar ascensão, vai despertando formas mais sutis de sensibilidade. A vida nos ofereceu ao longo dos séculos diversos exemplos de pensadores que tornaram reais suas idéias a partir de ações. Contudo, o que nos faz estar ausentes de nós mesmos frente a estas possibilidades de percepções no que dizem os demais? Ou não?

Em paralela observação, a sensação que nos leva a ser, a existir em nós mesmos, é aquela que nos toca fundo. Martin Luther King dizia: “Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver.”

Alguém, durante uma palestra que realizei em Teruel – Espanha – me diz: “...eu morreria pela minha família!” Bem, creio que a maioria tem como certa esta afirmação, todavia, nem todos são presentes no dia-a-dia de seus familiares. Os motivos, cada história, cada pessoa, representa um universo único com seus eixos de condições e, por conseguinte, as suas realidades. Isso significa que por mais que um pai seja atencioso, amoroso – entre aspas - perfeito, ou uma mãe, as condições podem impor, principalmente nos dias de hoje, necessidades que empreendem circunstâncias maiores e de primeira necessidade.

Se seguirmos por este viés, agora observando a impressão de si para si, sempre que o ser humano se encontra perdido ou se descobre dentro de seu “eu” mais profundo, saltam os alarmes mais estridentes; um tipo de antecipação reveladora, um chamado de atenção para profundas realidades ainda não vistas. Eis que nos despertamos quando o grito vem de dentro!