Daquilo que deve ser grande em nós!

Written by Jordan Augusto. Posted in Artigos e Crônicas

 

Dizem os Textos Judaicos: “A arrogância é o reino - sem a coroa.”

Em uma destas madrugadas passadas, depois de meditar bastante e refletir sobre diversos temas pendentes em minha história pessoal, dei-me conta de que as razões que me fizeram ir e vir, subir e baixar, são apenas impressões de momentos que devem ser revistas.

Nunca experimentei um período com tantas constatações como agora. A vida tem me ensinado diversas coisas que antes eu sabia, mas que com o advento da maturidade se estruturam, principalmente hoje, longe da realidade flutuante que um dia foi – ou que pode ter sido - o laboratório das más relações. Pietro Ubaldi, em um de seus livros, diz que “Na vida há uma Lei, que não é só o pensamento que dirige, mas é também vontade que impõe a sua atuação.”

Recentemente, durante uma aula em Madrid - Espanha, um aluno me pergunta: “...então o que é ser uma pessoa grande?”

- Depende de sua visão e aspiração. – disse-lhe.

Você pode ser grande somente em seu trabalho, profissão, em sua vida familiar.... Contudo, ser grande é ser grande de dentro para fora de maneira que suas ações reverberem em todo o seu entorno. De nada nos vale ser grande para os demais e não para nós mesmos. A vida que joga apenas com as aparências cedo ou tarde enfrenta a si mesma.

Desde que faleceu um importante professor que muito me ensinou, minhas reflexões tomaram outras dimensões. Perdemos muito tempo por orgulho, por vaidade, por querer impor nossas verdades. O segredo do grande condutor de sua própria história pessoal é tornar-se fiel instrumento de sua realidade íntima, de seu universo pessoal, livrando-a de enganos, falsidades, atitudes sem sentido. É ter atitudes espontâneas que honrem a você e os que te rodeiam. A vida é muito curta para perder tempo com banalidades que esbarram as casas do ego, da distonia, da arrogância, da ignorância....

Logo, não há dúvida de que somos nós quem decidimos sobre a vida que existe dentro de nossa existência. Hoje penso que feliz é o homem que soube compreender bem e aceitar o pensamento da história que o construiu em relação ao seu tempo pessoal, às pessoas boas e ruins que por aí passaram; feliz é a mente que não se engana, que não usurpa, que não perde seu tempo em querer ser aquilo que não se é!

Conta-se que Ryokan devotou sua vida ao estudo do Zen. Um dia ele ouviu que seu sobrinho, a despeito das advertências de sua família, estava gastando seu dinheiro com uma prostituta. Uma vez que o sobrinho tinha substituído Ryokan na responsabilidade de gerenciar os proventos da família, e os bens desta portanto corriam risco de serem dissipados, os parentes pediram a Ryokan fazer algo.

Ryokan teve que viajar por uma longa estrada para encontrar seu sobrinho, o qual ele não via há muitos anos. O sobrinho ficou grato por encontrar seu tio novamente e o convidou a pernoitar em sua casa.

Por toda a noite Ryokan sentou em meditação. Quando ele estava partindo na manhã seguinte ele disse ao jovem: "Eu devo estar ficando velho, minhas mãos tremem tanto! Poderia me ajudar a amarrar minha sandália de palha?"

O sobrinho o ajudou devotadamente. "Obrigado," disse Ryokan finalmente, "você vê, a cada dia um homem se torna mais velho e frágil. Cuide-se com atenção."

Então Ryokan partiu, jamais mencionando uma palavra sobre a cortesã ou as reclamações de seus parentes. Mas, daquela manhã em diante, o esbanjamento do seu neto terminou.