A via de maior encontro!

Written by Jordan Augusto. Posted in Artigos e Crônicas

Ao desembarcar em São Paulo, depois de anos e com uma série de reajustes internos e externos necessários para esta nova e intensa etapa que se desenvolve por meios profissionais em minha história pessoal, eu penso – em particular observação - que fazer “jus” à própria idéia da “sabedoria pessoal” que faz frente às adversidades mais sérias, difícil exercício, não deixa de ser o que sublinha os pontos de maior alcance entre o realinhamento de um “eu” alterado e tantos novos padrões a serem trabalhados.
Se assim for, uma vez que as arguições internas mudam de anos em anos, posso dizer com propriedade que em minha jornada pessoal, muito além do que se possa imaginar, todo paralelo possuiu sua proporção em divergência com a realidade que encontrei, e vice-versa.
O simples aspecto da construção do pensamento, seja em primeira ou terceira pessoa, demonstrou-me que todos nós que estamos atados ao entorno estamos sempre à mercê de um ponto divisor. Logo, a necessidade de uma reavaliação faz saltar os alarmes, indagando: Será?
O questionamento como ponto base para o encontro, independentemente de ser este interno ou externo, promove - principalmente em nível de existência - a força perpendicular que avança sobre nosso destino. Disse John Locke: “Sempre considerei as ações dos homens como as melhores intérpretes dos seus pensamentos.”
Se observarmos com claridade, os tempos de agora nos exigem que as respostas façam frente aos nossos problemas com um maior cuidado. O motivo? As consequências são mais visíveis! Pode ser que em virtude da realidade alheia, disso não sabemos, nosso panorama de atuação, que antes era mais incisivo, hoje se estruture em vias de resoluções internas. Em cada dia a vida nos oferece uma nova oportunidade de adormecer e de despertar.
O fato da mente estar preparada para ajustar os problemas não a torna infalível frente aos mesmos problemas. Como todos sabemos, o tempo é o grande divisor das razões e a mais forte e intensa “mola” de reajustes: encolhe e estica! Diversos mestres que se organizaram frente à vida, tempos depois afirmaram que os meios pelos quais adoecemos são sempre aqueles que sucumbem ao eterno descompasso que promovemos em nós mesmos. Falaram: “busque estar em sintonia com suas perguntas.”
Em adjacente visão, ainda que para as mentes mais esclarecidas a unificação seja o caminho da ascensão, o processo de entendimento e, por conseguinte, compreensão, ajusta o pequeno meio pelo qual nós humanos tanto sofremos: ego! John Dryden disse: “A felicidade que o homem pode alcançar, não está no prazer, mas no descanso da dor.”
Entretanto, tal como a mente desprovida de si mesma busca uma “hipertrofia” do meio pelo qual esta tenta acontecer, é natural que, vendo através de sua perspectiva individual, seja pela forma, desejo, cor, etc., esta altere o conteúdo de sua interpretação. Isso porque delineia apenas para si o espaço natural que existe entre a possibilidade de se redescobrir, de se reinventar, para bem e para mal. O que é comum, diga-se de passagem, é que o ser sofra por “ser ele mesmo”.
Se seguirmos pelo raciocínio padrão que nos leva a viver em sociedade, a razão interna se divide na via de dois princípios opostos: o da cisão e o da reunificação. Tal como disse Pietro Ubaldi, o nosso século é de transição, em que estão abalados os equilíbrios precedentemente estabelecidos e se está na expectativa da formação de equilíbrios novos. Vejamos:
O psicanalista Rollo May conversava com duas meninas gêmeas. À determinada altura, disse:
- Todo mundo deve comentar a semelhança entre vocês.
- Sim, disseram as meninas. – E nós detestamos isto. Seria tão bom ouvir alguém dizendo: “como elas são diferentes!”
A tarefa do ser humano é buscar a vida em sua plenitude e em sua individualidade. Não dá certo repetir fórmulas alheias, ou aceitar temores que não são nossos.
A natureza humana não é uma fábrica de produção em série, que vai colocando homens e mulheres nesta Terra. Basta olhar as árvores para constatar como são diferentes: por imensa que seja a flores­ta, cada árvore se desenvolve de acordo com suas necessidades, esforçando-se para sempre dirigir suas folhas em direção à luz.