Tempo… A gente cresce e acontece!

Written by Jordan Augusto. Posted in Artigos e Crônicas

“Porque o arrependimento, como o desejo, não procura analisar-se, mas sim satisfazer-se.” (Marcel Proust)

A gente cresce e acontece. No meu raciocínio, este “acontece”, é de dentro para fora. Explico:

À medida que vamos atravessando os anos, ganhando experiência e, através delas, os brilhos vão se desfazendo para ceder lugar a outros tipos de sensibilidade, a realidade que antes era voltada para uma determinada direção agora ressurge em meio à dissonância do antes.

Esta interessante forma de ver, de analisar... Leva-nos a estar em paralelos diferenciados, visto que pouco a pouco a mente vai ganhando uma lucidez diferente; ela aprende que as alegrias superficiais, supérfluas, só existem na juventude, quando ainda não somos capazes de entender que não existe bem e mal; apenas dois extremos que se completam. Toda esta realidade, transformada em reflexão com a chegada da idade, conduz-nos a nos enveredar por uma busca de realizações novas e mais duradouras, no sentido consciêncial.

Isso significa que por mais que o ser exista como um moderno caçador de êxitos, a vida que ele conheceu vai desaparecendo; aquela sensação de estar sempre ansiado e agitado, perseguido pelo tempo, hoje já não o reconhece. Madame de Staël dizia que “Os prazeres do pensamento são remédios contra as feridas do coração.”

Pois é... Pensar bem, observar bem, pequenos segredos que mudam a perspectiva de nossas vidas. Dentro deste viés, e desta relação entre paralelos e interesses, a vida de agora, mais financeira do que nunca, pensa estar seguindo rumo ao crescimento do ser em direção da alegria; é natural, visto ser direito sagrado o livre-arbítrio. No entanto, em minha história pessoal, penso que a idade nos leva a reconhecer mais rapidamente as volúpias diversas, a não se dirigir à precárias manifestações interiores. Enfim, a não desperdiçar energia!

Quiçá, para mim, hoje isso seja o essencial que me leva a estar em profunda mudança em meus hábitos e em minha vida. Com o tempo passamos a perceber que, em ordem ascendente e não descendente, o espírito se desperta dentro de sua própria necessidade. Já não é de agora que penso que em minha história pessoal a necessidade de demolir esses prazeres que intoxicam e desfazem o homem não são apenas parte de uma verdade; mas uma realidade a ser cultivada. Um exercício diário que, além de dissolver a estagnação, eleva o que nos faz ser, continuar...

“Tudo que foi prazer torna-se um fardo quando não mais o desejamos.” – disse Marcel Proust.